Mudando pra ser feliz

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quando a vontade inexiste

O tempo vai passando, muito vai acontecendo, mas a tristeza ainda permanece.

A vida segue, é fato, mesmo para aqueles que estão no meio da tragédia. Foi angustiante tanto tempo sem notícias, mas também houve o reconforto de saber que a amiga de tantos anos e toda sua família que aprendi a amar como se minha fosse, estão bem.

Mas as lágrimas ainda não se contém quando vejo e ouço relatos de pessoas que nada mais tem, seja porque perderam bens materiais, seja porque por muito pouco não perderam sua própria vida, seja porque se sentem culpados por não terem salvo esta ou aquela pessoa.
Tenho feito a minha parte, colaborado com doações materiais, volto a doar sangue em 15 dias, como tem sido pedido no Hemorio, e tenho procurado viver minha vida com a máxima normalidade. Mas a sensação de vazio ainda não passa. E sei que não passará tão cedo.

Não tenho vontade ainda de escrever ou me alegrar, apesar de ter motivos para comemorar algumas conquistas recentes. Me parece, por enquanto, injusto demais com todas que ainda sofrem e muito.

O mundo não para, e temos que seguir adiante. Estou procurando cada dia mais motivos para celebrar aquilo que de mais especial me é concedido diariamente: o dom da vida. Estou vivendo e provando a mim mesma que devo ser feliz. E grata. Sempre. Que a Deusa me permita novamente reaprender a demonstrar esta gratidão.


Mais uma vez a foto fica para me lembrar do fiz questão de gravar no corpo por toda vida: Razão e Espiritualidade se completam, se entrelaçam, se unem. E em mim, não seria diferente.

Assim que a alma estiver um pouco mais serena, volto a este espaço mais leve e animada. Dou minha palavra.

Bjs

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A dor que não deveria acontecer (Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis)

Até onde consegui saber, as pessoas que conheço por lá estão bem. Mas isso não diminui a dor, a emoção, a tristeza e a sensação total de impotência diante do que aconteceu nestas cidades. Especialmente em Nova Friburgo, que eu gosto tanto porque tem uma das minhas melhores amigas, e onde passei momentos muito bons da minha vida adulta.

Não sobrou nada que possa ser reconhecido da cidade que eu adorava. O teleférico, as praças, o centro da cidade, tudo ficou debaixo de uma avalanche de lama, irreconhecíveis. Pessoas desabrigadas, feridas, mortas. Muitas delas, talvez, com quem eu tenha cruzado pela rua nestas visitas e que hoje não sei que destino tiveram.

A falta de notícias, os telefones mudos, a cidade parcialmente sem luz só faz aumentar a agonia de nós, parentes e amigos que estamos distantes e que queremos saber dos que ficaram na cidade.

Há mobilizações em toda parte para arrecadar DOAÇÕES, de tudo: sangue, água, comida, roupas... Eles vão precisar deste gesto de solidariedade não só de quem os conhece de perto, mas também daqueles que nunca os viram.

Da minha parte, além daquilo que puder doar, me resta apenas pedir muito para que o sofrimento seja aliviado e eles sejam capazes de sair desta tragédia mais fortes e reconstruir suas vidas.

Bjs